Origem arrogante da palavra

arrogantemente Significado de Arrogantemente. advérbio De maneira ou de modo arrogante; em que há ou demonstra arrogância. Etimologia (origem da palavra arrogantemente).Arrogante + mente. Definição de Arrogantemente. Classe gramatical: advérbio Separação silábica: ar-ro-gan-te-men-te Exemplo com a palavra arrogantemente Embora existam diferentes teorias sobre sua origem etimológica, podemos enfatizar que altivo é uma palavra que deriva do latim. Em particular, vem de 'altano', que foi o adjetivo que foi dado aos ventos que sopravam do mar para a terra ou vice-versa. E essa palavra, por sua vez, emana do 'altus', que é um adjetivo que foi usado para definir tudo que era alto ou profundo. Sobre a etimologia de arrogância, transcre-se o que o Dicionário Houaiss estabelece: «[do] lat[im] adrogantĭa ou arrogantĭa,ae, 'arrogância, bravata, insolência, pretensão orgulhosa', de adrŏgans,antis, part[icípio] pres[ente] de adrogāre, 'interrogar, adotar, perfilhar, unir'.» Mas é no artigo dedicado ao radical rog- que se percebe melhor a relação semântica entre arrogantĭa ... Esta palavra se formou do Latim arrogans, “o que exige”, de arrogare, formada por ad-, “para” e rogare, aqui com o sentido de “exigir”. Origem da Palavra 2020 Do NOT follow this link or you will be banned from the site! Etimologicamente, o termo “arrogante” se originou a partir do latim adrogare, que significa “para exigir”, ou seja, utilizado para definir a personalidade de alguém que se achava no direito de exigir um reconhecimento do mundo que, na realidade, não merece. Em inglês, a palavra “arrogante” pode ser traduzida para arrogant. A candura, num país de delinquência arrogante, acaba sendo um desserviço à sociedade.; Brilhante, burlão, cruel, sem escrúpulos, arrogante. Com isso, criaria indisposição e muitos o considerariam não apenas rude, mas também enfatuado e arrogante.; Cunha Lima disse que a cúpula da Petrobras adota um comportamento arrogante ao se recusar a rever sua política de preços. A palavra mais comum para «coração», em romeno, não é esse «cord» (que existe), mas sim «inimă». De onde vem esta palavra tão diferente? Da «anima» latina, ou seja, da alma. E, claro, o coração sempre quis dizer muito mais do que um órgão do corpo. É a alma, a consciência, o amor… Qual a origem de «amor»? Origem da palavra arrogant. ME & OFr < L arrogans, prp. of arrogare, arrogate. Exemplos de frases que incluem arrogant. Esses exemplos foram selecionados automaticamente e podem conter conteúdo sensível. ... Português Brasileiro: arrogante; Significado de arrogante. O que é arrogante: Pessoa que tem atitude superior à solicitada na situação ou momento. Que abusa da autoridade para efetuar um ato com intuito de demonstrar que é melhor ou mais importante que outro. Em minha opinião, um tipo dos mais desagradáveis é o arrogante. Esta palavra se formou do Latim arrogare, de ad-, “para” e rogare, aqui com o sentido de “exigir”. A origem descreve bem esta distorção da personalidade em que o portador se acha no direito de exigir do mundo um reconhecimento que ele não merece.

Acho que desperdicei minha vida e não consigo sair de casa para mudar isso

2020.05.30 00:43 Skyggen-Kriger Acho que desperdicei minha vida e não consigo sair de casa para mudar isso

Tenho 17 anos. Quando a minha apatia começou, eu não compreendia o que me fazia ver tudo de forma tão vazia. Talvez tudo tenha se originado dos meus problemas na escola. Sempre fui um covarde, e eu não conseguia por um fim no tormento que outros alunos me acometiam. Eu achei que trocar de escola fosse resolver o meu problema, mas o ambiente da escola religiosa cujo entrei posteriormente era tóxico demais pra mim.
Nunca fui religioso. Sinto que meu ateísmo - algo tão desprezado pela sociedade - me acompanha desde meu primeiro questionamento metafísico sobre a natureza da moralidade humana. Na época, ainda nem entendia o conceito dessas palavras. Seja o fato de ser ateu em uma escola religiosa ou meu comportamento inocente que me acompanhava desde a infância, essa nova escola ainda me trouxe problemas.
Nunca tive muitos amigos. Alguns posso dizer que eram pessoas de bem. A maioria eram apenas oportunistas ou pessoas que eu julgava agradáveis o suficiente para não me encrencar como de costume. Nessa escola, não foi diferente, e o constante conflito de ser obrigado a frequentar um lugar a qual eu desprezava repleto de pessoas que eu desprezava ainda mais fez com que minha ansiedade atingisse um pico cujo tornou meus problemas na escola o menor deles.
Acho que o principal agravante da minha ansiedade e depressão foram as preocupações infundadas. Transtornos psicológicos podem trazer diversas somatizações ao corpo físico, e meu cérebro estava incessantemente buscando algo para me preocupar. Esses sintomas físicos em resposta a minha condição mental me fizeram crer que eu estava com alguma doença, e em pouco tempo minha ansiedade se agravou ainda mais com essa condição hipocondríaca absurda. Isso aumentava a somatização dos meus sintomas e esse processo se retroalimentava. Até hoje me preocupo se algo ruim pode acontecer. E não parou nas doenças.
Com o tempo, cada vez mais coisas ínfimas se tornavam uma tempestade caótica na minha cabeça, mesmo sobre coisas que fogem do meu controle. Questionamentos filosóficos simples que qualquer pessoa teria sobre a "origem do universo", ou algo do tipo, tomam proporções emocionais da descoberta de uma doença terminal. Não são crises existenciais. Eu lido bem com a insignificância em relação ao universo. O que me aflige é a maldita sensação de que eu não compreendo as coisas. Seja uma dúvida simples que pode ser saciada lendo um livro científico, seja um questionamento metafísico que está além das minhas capacidades, mesmo sendo irrelevante para minha sobrevivência, isso me quebra mentalmente. Eu não sei lidar com dúvidas. Eu preciso encontrar um sentido nas coisas, algo que um raciocínio lógico possa resolver, e as vezes esses questionamentos sobre coisas irrelevantes e que eu sei que são impossíveis de serem compreendidas acabam se tornando debates intermináveis e torturantes na minha cabeça. Penso que talvez seja um tipo de TOC, mas não ouso afirmar algo sem o conhecimento devido.
Algo irônico sobre isso talvez seja meu ceticismo. Por mais que procure respostas, eu nunca me contento com qualquer uma. Por isso não sou religioso e provavelmente nunca serei, desde que mantenha meus questionamentos dentro do limite falseável.
Enfim, sem divagar. Eu falei que a escola era ruim, não é? Pois é, eu a larguei antes de começar o ensino médio. Isso foi a primeira coisa que me fez questionar se já é tarde demais pra garantir um bom futuro na minha vida. Sei que há formas alternativas de terminar o ensino médio, - e é isso que irei fazer - mas o grande problema que me acompanha atualmente é a apatia total. Antes, eu não tinha interesse em sair de casa, coisas simples. Hoje, não consigo assistir um filme, ler um livro, praticar exercícios, e o máximo que consigo com todo o esforço que me resta é tentar estudar algo de relevante, mesmo que um pouco. E, curiosamente, não é o peso de ter que estudar todo o ensino médio sozinho e depois ter de fazer duas provas para garantir que aprendi que me motiva. Em meio a situação atual do país, no desgoverno que estamos enfrentando (se você é fanboy de político não enche o saco), a pseudo-ciência está imperando nas redes sociais, e quanto mais eu vejo pessoas de influência divulgando palhaçadas conspiratórios como terra plana, anti-vacina e negacionismo climático com mais raiva eu fico: o mais próximo de um sentimento normal que eu tenha atualmente. Mas é uma faca de dois gumes: se por um lado isso me impulsiona a alguma motivação, a raiva acaba agravando minha ansiedade, o que me faz questionar o que devo fazer: me manter antenado nas redes sociais para garantir um último resquício de sentimento que eu tenho ou me abster de acompanha-las para que meu nervosismo não piore? Pode haver um meio termo entre isso? Eu não sei.
Mas o pior de tudo, fica para o final. Toda essa apatia me tirou tudo que eu tinha, e o resultado? Eu estou preso em casa a mais de dois anos. Por um lado, acho engraçado as pessoas reclamando de alguns meses em casa nesse período de quarentena. Por outro, me sinto um merda por isso. Eu não falo com ninguém que não seja minha mãe ou meu pai a tanto tempo que perdi a conta. Por mais que eu odeie admitir, contato humano está fazendo falta agora, e eu não posso evitar isso. Somos primatas, e primatas são animais sociáveis. E por isso as vezes sinto que eu nasci no corpo errado. Por que não um tigre? Uma onça? Ou um leopardo? Acho que ser um grande felino solitário não me faria lamentar minha péssima habilidade social e meu desejo de ter algum amigo de verdade para conversar.
Eu sei o que estão pensando. "Ah, você ainda tem seus pais". É verdade, mas não posso deixar de culpa-los por grande parte dos meus problemas de hoje. Desde meus primeiros sintomas de ansiedade no meu primeiro colégio, eles sempre estavam lá para me culpar pelos meus problemas sociais. A atitude arrogante e irritada do meu pai e a hipocrisia vitimista, manipuladora e conflituosa da minha mãe sempre me incomodaram. Pessoas imutáveis que nunca aceitam que estão erradas me irritam demais. E eles não estão realmente preocupados em ajudar, então eu estou sozinho. A menos que comprar remédios seja alguma ajuda da minha mãe, mas considerando que dos vários que já tomei NENHUM teve efeito algum, eu acho que posso ignorar isso.
E depois desse longo texto que ninguém irá ler a minha dúvida é a seguinte: eu perdi a minha adolescência sem trocar palavras com ninguém ou realizar algo desde os 15 anos. Ainda há esperanças para mim? E se eu resolver sair de casa quando esse caos pandêmico acabar, a onde eu deveria ir? Eu não tenho amigos, com quem eu poderia me encontrar? COMO eu posso encontrar alguém para me relacionar naturalmente e ONDE? Eu não tenho IDEIA de como humanos constroem relações sociais... Porra. Por que eu tinha que ser um humano?
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2019.04.20 23:57 Samuel_Skrzybski STEEL HEARTS - INTRODUÇÃO (PARTE 2)

O ano é 1420.
Em uma noite chuvosa, um homem encapuzado e vestido de preto dos pés à cabeça finta oficiais pasargadanos dentro do imenso e majestoso Castelo de Woodyard - antigo castelo da família Winchestter e, hodiernamente, a sede da Pasárgada. Por mais que se esforçassem, os soldados não conseguiam sequer triscar suas espadas e lanças nas vestes do invasor. Ninguém sabia como o misterioso homem havia driblado a segurança e adentrado no castelo da Pasárgada. E também não tinham nem noção de como para-lo: ainda que encurralado, o homem conseguia deslizar entre os seus perseguidores com agilidade jamais vista pelos mesmos, sem sequer sacar as duas espadas que levava às costas. O veloz sorrateiro passeou pelas salas do palacete e chegou ao trono do rei sem derramar uma única gota de sangue. Lá estava Matiza Perrier, sempre junto de sua esposa, Zoey Deschamps.
O sujeito se aproximou do rei da Pasárgada e prestou uma reverência à alteza, ainda sem proferir uma palavra sequer. Matiza, com seus longos cabelos negros e seu típico e habitual largo sorriso, debochou de seu exército, que não era capaz de frear as investidas de um simples plebeu. Descendo as escadas de seu trono dourado, Matiza disse aos seus comandados presentes na sala principal do palácio que ele mesmo despacharia o invasor, apunhalando a sua longa espada. O que a rainha e seus subordinados testemunharam nos 30 segundos seguintes beirava o insano.
Em menos de um minuto de confronto, o invasor desconhecido, com as mãos limpas, imobilizou Matiza Perrier. O rei, que era um exímio manipulador de armas brancas e que tinha em suas mãos uma montante suíça - uma espada imensa, que media nada mais nada menos do que um metro e meio - não teve chances contra os inacreditavelmente ligeiros ataques de seu adversário. Em questão de segundos e sob os olhares de sua esposa, Matiza Perrier foi completamente neutralizado. O comandante da Pasárgada riu do fato de ter sido derrotado em um combate por um popular. E, reconhecendo o talento incontestável de seu oponente, permitiu que este lhe dirigisse a palavra para revelar o que lhe trazia ao Castelo de Woodyard. O homem misterioso retirou o capuz e disse seu nome: Constantin Saravåj.
Saravåj discursou por alguns breves minutos ao rei da Pasárgada, dizendo que queria fazer parte dos ambiciosos planos pasargadanos de ter todo continente europeu aos seus pés. O homem - que já não era mais um garoto fantasista - afirmou que estava disposto a dedicar a sua vida inteira à sedenta ganância da Pasárgada. Sem tardar, as palavras de Saravåj convenceram Matiza Perrier, que foi contra a vontade de sua própria cônjuge e aceitou o desconhecido homem iugoslavo em seu exército. O comandante pasargadano, que costumava ser excessivamente seletivo na hora de escolher os seus soldados, mas impressionado como poucas vezes antes pela habilidade e destreza de Saravåj, não só admitiu o iugoslavo como um membro de honra de seu reinado como o fez um integrante da Elite Pasargadana. Na cabeça de Matiza, era preferível ter Constantin Saravåj como um aliado do que na oposição, afinal de contas, se tratava nitidamente de um homem perspicaz e perigoso.
A Elite da Pasárgada era um pequeno grupo de quatorze pessoas - agora quinze - que tinham funções-chave no governo pasargadano e que residiam no Castelo de Woodyard. Líderes militares. Administradores econômicos. Pessoas influentes. E, evidentemente, o rei e a rainha. Eram quem sabia e compactuava com toda sujeira que acontecia por baixo dos panos no governo de Matiza Perrier. E, dada a sua importância, os nobiliárquicos eram os pilares do presente e do futuro do império da Pasárgada: sempre que uma decisão importante pedia por ser tomada, uma reunião em mesa redonda era convocada com os integrantes da elite, para que estes entrassem em um consenso.
É interessante pôr em evidência que a fina flor da Pasárgada não era necessariamente composta por homens e mulheres capacitados e qualificados para seus respectivos cargos. A esmagadora maioria eram amigos pessoais do rei Matiza Perrier. Pessoas em quem ele confiava. Um misto de guerreiros, de fato, idôneos com cidadãos triviais e inseguros que apenas buscavam fama e poder. Naturalmente, a Elite também era composta pelas quinze pessoas mais beneficiadas com o capital desviado do povo de Acqualuza.
Saravåj foi encimado como o espião da Pasárgada e passou a usar o mesmo grande sobretudo branco de Matiza Perrier e dos principais membros pasargadanos, que levava um enorme "P" ao lado esquerdo do peito. O seu trabalho era o de apurar dados importantes dos territórios que faziam fronteira com a Pasárgada, se passando por um diplomata inglês, abrindo caminho para uma eventual invasão pasargadana. De todos os componentes da Elite Pasargadana, o iugoslavo era quem menos tinha contato com o rei. Talvez por passar mais tempo galgando de reino em reino em uma falsa missão diplomática do que no próprio território pasargadano. O único contato direto entre Saravåj e Matiza, em sua maioria, acontecia por meio de cartas ou bilhetes, com informações sucintas e diretas apuradas em terras que interessavam à Pasárgada. Na maior parte do tempo, o rei da Pasárgada sequer recordava de que Constantin Saravåj era um membro de seu esquadrão.
O guerreiro iugoslavo agia feito uma cascavel nas terras pasargadanas, esperando o momento certo para dar o bote. Mesmo após completos cinco anos da morte de Camilly Shaw, o peito do homem ainda somente conseguia abrigar raiva e rancor. Durante este meio tempo, o iugoslavo se absteve de todo e qualquer contato um pouco mais profundo com outro ser humano. Isolou-se em seus próprios pensamentos e focou unicamente em aperfeiçoar as suas técnicas de combate corpo a corpo, volta e meia invadindo e saqueando palácios, bancos e comércios dos burgueses para colocar a teoria em prática, sempre idealizando a queda da Pasárgada em seu horizonte. A medida que Constantin Saravåj arrombava portas, roubava sacos de ouro e assassinava nobres, ele tornava-se mais frio e incapaz de cometer erros ou sentir remorso.
Saravåj nunca conseguiu a total confiança e muito menos a amizade de Matiza Perrier ou de qualquer outro membro do alto escalão da Pasárgada. Mas, em contrapartida, da mesma forma, nunca esteve sob desconfiança. Aos olhos dos pasargadanos, Saravåj era um homem de poucas palavras, sempre com o rosto fechado e quase que invisível, mas que sempre arcava com as suas obrigações com rara eficiência.
Foi então que, sob a escuridão de uma fria madrugada, o guerreiro iugoslavo aproveitou-se de sua camuflagem natural entre os pasargadanos e da sua vasta experiência com roubos e furtos para saquear discretamente um cilindro metálico de acetileno, do depósito do Castelo de Woodyard. O acetileno é um gás impossível de ser avistado a olho nú e extremamente inflamável, usado na época, principalmente, como bomba.
O plano de Saravåj era, desde que colocou os pés pela primeira vez no palacete da Pasárgada, ter em mãos e explodir um cilindro médio de acetileno, causando um incêndio sem precedentes no Castelo de Woodyard. Com as chamas se espalhando pelas cortinas e pelos móveis de madeira refinada, Saravåj iria valer-se da confusão generalizada instalada pelo fogo entre as tropas pasargadanas para chegar até a sala do trono, da mesma forma que fez na noite em que ficou frente a frente com o comandante da Pasárgada pela primeira vez, e enfim, assassinaria o rei Matiza Perrier. Deixar o trono pasargadano vazio seria como jogar queijo aos ratos: por mais que, na teoria, Zoey Deschamps tivesse o apanágio de se tornar a rainha soberana após o falecimento de seu marido, os sobreviventes da avarenta nobiliarquia da Pasárgada, incapazes de entrar em concordância, dariam o pontapé inicial de uma disputa incessante pelo poder, instaurando assim, por mais uma vez, um governo instável sobre as terras de Acqualuza. Enquanto os monarcas pasargadanos testilhariam pelo domínio do império da Pasárgada, Saravåj abandonaria o seu fajuto lugar na Elite Pasargadana para se instalar no forte reino militar da Germânia, em uma crucial e sincera missão diplomática.
O reino da Germânia, do arrogante e egocêntrico rei Lindner Laiterberg, era o único governo que ainda era capaz de bater de frente com o império da Pasárgada. Em um cenário que contava com uma Inglaterra desestabilizada após uma série de escândalos envolvendo o governo de Sabino III e com o leste europeu cada vez mais mergulhado em uma profunda crise econômica, a Germânia, célebre por seu grande e organizado exército de soldados, era a única pedra no sapato da Pasárgada, que já havia tomado a Gália, a Catalunha e Coimbra (atual Portugal) para si, além de ter ao seu favor os abundantes recursos naturais da Península de Acqualuza. O clímax do plano de Saravåj contra a Pasárgada era agir em conjunto com Lindner Laiterberg, aproveitando-se da prepotência do mesmo. O guerreiro iugoslavo tinha em mente denunciar a fragilidade momentânea do reino pasargadano ao rei da Germânia, instigando-o a usar esta oportuna situação à seu favor para invadir as terras pasargadanas, que sequer contariam com um rei para mobilizar as suas tropas visando se defender, para assim, no fim das contas, tomar o vasto reino da Pasárgada para si. Sem a presença de um governo e com o foco voltado para um briga de interesses interna, a Pasárgada estaria totalmente desprevenida diante do ataque e deveria ser esmagada pela robusta hoste germânica em questão de semanas.
Após a queda pasargadana, Laiterberg certamente não se sairia bem em sua primeira experiência como imperador, ao ver tantos territórios sob sua responsabilidade. E, no decorrer do efeito dominó, sob a tutela de um regime menos sólido e menos rigoroso em relação à Pasárgada, cidadãos subversivos gauleses, catalães e coimbrenses provavelmente dariam início a um natural processo de revolução e independência, que tinha tudo para ser bem-sucedido. Mas, em todo caso, ainda que o monstro europeu se tornasse a Germânia e esta viesse a concretizar o plano de colocar a Europa inteira de joelhos, que no princípio era pasargadano, pouquíssimo importava para Constantin Saravåj. Contanto que ele pudesse usar o exército germânico como fantoche para massacrar a Pasárgada e devolver na mesma moeda o calvário que o reino de Matiza Perrier o fez passar há exatos cinco anos, não era significativo o final daquele roteiro. O planejamento de Saravåj não era perfeito e estava recheado de brechas. Mas havia chegado o momento de contar com o acaso - ou com a justiça divina, se esta de fato fosse real. Inspirado na CAJA, o iugoslavo definiu data e hora para realizar a sua conflagração.
Tudo caminhava como o articulado por Saravåj, até que, durante uma noite, o guerreiro despertou em seu quarto no Castelo de Woodyard com uma mão sobre a sua boca. Sem pensar duas vezes e em um movimento rápido e violento, o iugoslavo, em questão de segundos e sem dar tempo de reação ao seu oponente, levantou-se ferozmente e prensou o invasor contra a parede, batendo com força o corpo do desconhecido contra a madeira fina da parede de seu quarto. Mesmo em meio ao breu da madrugada, pôde identificar o rosto familiar: Randolph Mayoral. Inglês com descendência catalã, era o braço-direito de Matiza Perrier e comandante geral do exército da Pasárgada, além de ser a pessoa mais próxima do rei, em quem Matiza Perrier confiava cegamente. Cochichando para evitar chamar a atenção dos guardas noturnos, Saravåj perguntou à Randolph quais eram as suas intenções ali. Randolph Mayoral levantou as suas mãos calmamente, em um gesto de rendição, e afirmou que tinha o melhor dos propósitos. Estava ali para fazer um acordo. Saravåj soltou Randolph, que começou a caminhar lentamente pelo pequeno quarto enquanto falava. O inglês disse que estava observado Constantin Saravåj há algum tempo. Para ele, toda incógnita que envolvia o iugoslavo deixava evidente que este mesmo tinha segundas intenções nas terras pasargadanas. Randolph alegou que foi um espectador do furto de Saravåj ao depósito de Woodyard.
Neste instante, o iugoslavo arregalou os olhos e viu os seus cinco anos de planejamento se esvairando diante de si. Percebendo a aflição de Saravåj, Randolph riu e prometeu que não havia procurado pelo iugoslavo para fazer chantagens. O braço-direito de Matiza Perrier disse que também estava arquitetando uma rebelião contra a Pasárgada. Revelou que não considerava Matiza como digno de liderar um império tão poderoso como o pasargadano. Afirmou que não considerava como justo que Matiza Perrier, um mísero coitado que via a si mesmo como uma figura divina na Terra, tivesse tanta sorte. Sorte para ter metade da Europa à sua disposição. Sorte para ter seus pés beijados pelo povo da Península de Acqualuza, por mais que fosse o verdadeiro carrasco destes mesmos. E sorte para ter uma mulher maravilhosa ao seu lado - a quem ele traía constantemente e abertamente. Randolph Mayoral invejava Matiza Perrier, e estava somente esperando o momento adequado para derrubar o atual rei da Pasárgada de seu pedestal. Saravåj sorriu e disse para Randolph que seria uma honra tê-lo como aliado na revolta contra a Pasárgada.
De imediato, Randolph teceu as suas mudanças na estratégia de Constantin Saravåj: nada de acetileno, explosões ou chamas se alastrando pelo castelo. O inglês preferia optar por preservar o patrimônio histórico, mas sem deixar de lado a matança: o plano de Randolph era fazer do motim contra o governo de Matiza Perrier um enorme e sanguinário espetáculo teatral. Sobretudo, o delineamento do inglês se baseava em fazer com que os seus mais competentes e confiáveis soldados, integrantes do próprio exército nobre pasargadano, dos quais Randolph Mayoral era o capitão, penetrassem na sede da Pasárgada travestidos de cidadãos acqualuzenses, causando um alvoroço absoluto no esquadrão de guerreiros pessoais de Matiza Perrier, que seria atacado de surpresa. Não seria uma tarefa difícil convencer os guerreiros a virarem as suas costas para o rei com ilusórias propostas, envolvendo ouro e reconhecimento. Sem os seus habituais uniformes, com vestes de pano, portando espadas de ferro barato e com o hino de guerra "OS MONARCAS NÃO NOS AJUDAM!", em alusão à revolução de 1416, os súperos oficiais de Randolph Mayoral teriam a falsa invasão ao Castelo de Woodyard facilitada por ele próprio, que sabotaria as principais entradas do palacete - tarefa que Randolph dividira com Constantin Saravåj. Já dentro do palácio pasargadano, os hábeis oficiais de Randolph, sob a fantasia de militantes do povo de Acqualuza, repetiriam o Domingo Sangrento. Seria acrescida mais uma noite de chacina aos nobres na história da Península de Acqualuza.
O que por trás das cortinas era uma traição ao rei minuciosamente calculada pelos membros do mais alto escalão da Pasárgada, Randolph Mayoral e Constantin Saravåj, aos olhos da Pasárgada, do povo e de toda Europa teria todos os componentes de uma inesperada revolta popular. Seria a explicação mais plausível e não haveriam motivos para suspeitar-se de que Matiza sofrera uma apunhalada pelas costas de um próprio oficial pasargadano, fazendo com que a emboscada de Randolph e Saravåj passasse despercebida por todos. No desfecho, os planos dos dois integrantes da Elite eram idênticos: culminariam com a morte do atual rei da Pasárgada e com o abalamento absoluto da mesma. Saravåj animou-se, elogiou e acatou o planejamento de Randolph Mayoral, e ambos consolidaram a improvável aliança com um firme aperto de mão. Com o sol já nascendo ao Leste, Constantin Saravåj fez questão de abrir a porta de seu quarto para seu cúmplice, para que, a partir do instante em que Randolph cruzasse a porta, ambos dessem início aos preparativos da cova de Matiza Perrier.
Eram quase cinco horas da manhã. Quando enfim pôde voltar para sua cama, Saravåj sentiu um peso de duas toneladas sob seu travesseiro. O iugoslavo sabia que não podia confiar em Randolph Mayoral. Ficava óbvio nos olhos do inglês que o seu plano da rebelião contra a Pasárgada tinha um fundo falso. A real intenção de Randolph era sentar-se no trono vazio da Pasárgada depois da morte de Matiza Perrier, a quem ele fingia admirar. Disso, Saravåj não duvidava: Randolph, de fato, faria tudo o que fosse necessário para ter a Europa inteira à sua disposição. Para ter os seus pés beijados pelos cidadãos da Península de Acqualuza, por mais que fosse o verdadeiro carrasco destes mesmos. E para ter Zoey Deschamps - que era uma bela e formosa mulher - como sua esposa. Chegava a ser ridículo de tão óbvio. Trocar Matiza Perrier por Randolph Mayoral seria o mesmo que trocar seis por meia dúzia. Sob a visão de Saravåj, Randolph nada mais era do que uma versão menos ingênua do atual rei da Pasárgada. Para que o plano do guerreiro iugoslavo tivesse sequência, o trono pasargadano deveria permanecer vago. Se Randolph Mayoral se auto-coroasse rei da Pasárgada, o seguimento do planejamento de Saravåj perderia o sentido. Saravåj tinha que encontrar uma forma de matar dois coelhos com uma tacada só e tirar tanto Matiza quanto Randolph de seu caminho na noite da fajuta revolta contra o governo pasargadano. Para isso, Saravåj seguiu com a sua encenação. Fingiu ser um leal companheiro de Randolph Mayoral até o dia 11 de Abril de 1420, que, por ironia da vida, era exatamente o mesmo que o inglês fazia com o rei Matiza Perrier.
Eram sete horas da noite. Por coincidência do destino, mais uma vez em uma noite chuvosa, uma tropa de mais de cem homens vestindo roupas simples conseguiu arrombar a principal entrada do Castelo de Woodyard, avançando violentamente dentro deste mesmo pelo salão principal, aos berros. A guarda do castelo foi pega completamente desprevenida. Teoricamente, a segurança deles deveria estar garantida pelos altos e fortes portões de madeira do palacete. Muitos dos guerreiros de Matiza Perrier sequer estavam com suas armas de combate em mãos quando os revolucionários adentraram em Woodyard. Era inegável que Randolph Mayoral sabia como capacitar um esquadrão. Os supostos invasores acqualuzenses avançavam rapidamente dentro da sede da Pasárgada, dizimando sem fazer muito esforço as tropas pessoais de Matiza Perrier.
Naquele mesmo instante, no ponto mais alto do palacete de Woodyard, todos os componentes da Elite Pasargadana - todos, exceto um - estavam reunidos, na habitual mesa redonda de mármore, já cientes de que estavam diante de um ataque de seus próprios cidadãos. Eram várias as perguntas sem respostas. Teria o povo enfim descoberto sobre a corrupção pasargadana? Era a explicação mais verossímil para uma revolta tão repentina. Mas como? Haveria então um traidor infiltrado entre eles naquela sala? Inúmeros integrantes do alto escalão da Pasárgada exaltaram-se e encheram o peito para apontar dedos uns aos outros, fazendo acusações sem provas nem fundamentos. No meio do tumulto, estava o próprio mentor da investida contra os pasargadanos que acontecia alguns andares abaixo dos mesmos. E foi exatamente Randolph Mayoral quem acalmou os ânimos de seus colegas da nobreza com discursos repletos de cinismo. Randolph afirmou que, como Comandante Máximo do Esquadrão de Elite da Pasárgada, era seu dever expor-se ao perigo e descer ao salão principal do palácio para movimentar o exército da Pasárgada, na tentativa de evitar que o desastre alcançasse proporções ainda maiores, sempre em companhia de seu co-comandante, Marcell Cabral. O poderoso homem que estava sentado no centro da mesa redonda, Matiza Perrier, concordou prontamente com Randolph Mayoral.
Marcell Cabral, catalão de origem que foi criado na Inglaterra após ser rejeitado por seus próprios pais, era um amigo de infância de Matiza e um dos membros pioneiros da Elite da Pasárgada. Todavia, do mesmo modo, era um dos integrantes menos importantes e favorecidos do seleto grupo dos "quinze". O comandante pasargadano arrependeu-se amargamente de ter nomeado Marcell Cabral como integrante de seu alto esquadrão. Matiza Perrier julgava o catalão como inapto e intelectualmente muito abaixo dos demais. De fato, Marcell era um garoto inseguro e introvertido, que não demonstrava vocação em nenhuma área do militarismo. Tinha pouca intimidade com armas de combate e também não tinha desenvoltura suficiente para se tornar diplomata ou governante. Geralmente, era isento nas tertúlias da Elite Pasargadana e sequer opinava. Por fim, escondeu-se como co-comandante do primeiro escalão do exército pasargadano, em uma função que se simplificava a somente acompanhar o comandante supremo Randolph Mayoral. Exerceu essa função como pôde, por anos. Até aquela noite.
Enquanto desciam a sequência de escadas do Castelo de Woodyard, Randolph apunhalou Marcell covardemente, pelas costas. Com um pequeno e afiado punhal em mãos e com o catalão já agonizando no chão, o inglês esfaqueou Marcell Cabral mais uma vez, desta vez cirurgicamente na veia jugular de seu pescoço, dando um rápido e trágico fim ao sofrimento de Marcell. Marcell Cabral, por mais que fosse facilmente maleável, era uma testemunha em potencial do golpe contra o rei Matiza Perrier. O corpo sem vida do jovem catalão, em poucos segundos, foi coberto por uma grande poça de sangue, que pingava lentamente gotas cor vermelho-vivo entre um degrau e outro.
Randolph Mayoral, disposto a realizar barbaridades em nome do assassinato de Matiza, na intenção de usurpar o trono da Pasárgada do mesmo, passou a comandar os seus homens de perto quando chegou ao palácio principal. No salão, abriu um grande sorriso quando avistou incontáveis guerreiros que levavam a letra "P" ao peito caídos no chão, já sem vida. O Exército de Elite da Pasárgada, disfarçado de indignados representantes do povo da Península de Acqualuza, por mais que fosse menor em quantidade, se fazia maior em sua força de combate. Era só uma questão de tempo até que os rebeldes progredissem até a sala do rei e tivessem a cabeça de Matiza em suas mãos. Era nítido que o exército de Matiza Perrier estava desorganizado e, acima de tudo, amedrontado. Totalmente incrédulo de que o que estava acontecendo era real.
Entretanto, poucos minutos depois de Randolph chegar ao palácio principal e começar a proferir palavras de ordem aos invasores, pôde-se ouvir um estrondo ensurdecedor. Como um trovão que caíra dentro do Castelo de Woodyard ou como uma bomba que acabara de explodir nas proximidades do palácio. Após o barulho, soldados dos dois lados do campo de batalha permaneceram estáticos. Randolph Mayoral tentava disfarçar a sua inquietação mordendo os lábios. Ninguém conseguia imaginar o que poderia ter ocasionado um som tão alto e agudo. Foram segundos de tensão no palacete de Woodyard, até que, pasargadanos e acqualuzenses sentiram um calor descomunal em seus corpos. A temperatura do ambiente subiu aceleradamente. E quando os guerreiros, enfim, olharam para os lados, observaram chamas se alastrando pelas quatro paredes do palácio principal. Com seus olhos refletindo o fogo ardente, Randolph Mayoral não teve dúvidas: Saravåj havia quebrado o pacto.
O inglês permaneceu inerte, sem sequer morder os lábios desta vez. Constantin Saravåj havia colocado tudo a perder. Observando os seus homens lutando contra um adversário a mais, Randolph foi forçado a admitir em poucos minutos que a operação que prometia ser o pontapé inicial de um eventual governo pasargadano sob sua tutoria havia fracassado. Randolph Mayoral, enfim, tomou a relutante decisão de ir na mão contrária de todo pensamento que havia passado pela sua cabeça nas últimas semanas e rugiu para todas paredes do saguão principal, ordenando que os revolucionários cessassem a invasão. Os soldados da Elite Pasargadana, ainda travestidos de cidadãos de Acqualuza, retardaram para compreender o comando. O comandante do Exército de Elite da Pasárgada organizou o seu pelotão e mudou o alvo dos guerreiros: a meta, a partir daquele instante, era defender a sala real e caçar o atual espião da Pasárgada por todo metro quadrado do palacete. Randolph não sabia exatamente quais eram as intenções de Saravåj com o incêndio, mas era evidente que àquela altura do campeonato o iugoslavo era mais um inimigo do que qualquer outra coisa. Um grande ponto de interrogação invadiu o inconsciente de todos aqueles homens com vestes de pano de segunda sujas com sangue. Chegava a ser paradoxal. Há alguns minutos atrás, todos eles estavam dando a alma para assassinar Matiza Perrier a todo custo. E agora, por mais controverso que soasse, a missão era proteger o mesmo Matiza Perrier. E como se não bastasse, nenhum dos pasargadanos sabia com precisão quem era o responsável pela espionagem na nobiliarquia da Pasárgada. Nenhum daqueles homens tinha a mínima noção de quem era Constantin Saravåj Mandragora. Tão perdidos quanto os soldados pessoais de Matiza, os homens do Exército de Elite da Pasárgada tentaram seguir à risca a determinação de seu capitão, ignorando as chamas que se dispersavam pelas paredes como se houvesse um dragão feroz dentro do Castelo de Woodyard.
Alguns andares acima, Constantin Saravåj vivia um déjà vu após explodir com sucesso o cilindro de acetileno. O iugoslavo, ainda vestindo o sobretudo branco pasargadano, fintava os mais competentes combatentes da Pasárgada - tanto os que usavam fardamento quanto os que usavam trapos - e dançava com o fogo. Com a mesma velocidade anormal da noite em que invadiu Woodyard pela primeira vez, Saravåj concentrava todos os seus esforços em chegar no trono do rei antes dos pasargadanos. Matiza não podia fugir. Os seus cinco anos de planejamento dependiam apenas de sua competência. O espião conhecia o palácio como a palma de sua mão e não demorou muito até que Saravåj, se livrando de todos homens da Pasárgada sem nem mesmo colocar as suas mãos nas duas espadas que carregava nas costas, chegasse com êxito ao luxuoso salão de Matiza Perrier.
Contudo, lá o guerreiro iugoslavo somente pôde observar chamas. Nos quatro cantos da sala. O fogo consumia com voracidade todo móvel de madeira refinada. Subia rapidamente pelas enormes cortinas vermelhas. Derretia todo ouro que havia ali por puro capricho. Mas o trono estava vazio. Não havia nenhum rei. Não havia cetro de ouro, nem manto real. O comandante da Pasárgada não estava ali. Matiza Perrier havia conseguido driblar o incêndio e foi bem-sucedido em sua fuga, sem deixar quaisquer vestígio. Saravåj caminhou vagarosamente até o meio da sala real, tremendo, desconsiderando a temperatura-ambiente absurdamente alta. O iugoslavo olhava em câmera lenta para todos os lados, como uma criança que conhece um lugar pela primeira vez. O curto fio de esperança que dizia para o coração de Constantin Saravåj que tudo daria certo calou. Aquela sala vazia era o seu segundo calvário. Aquela mesma sala onde ele havia colocado Matiza Perrier no chão em poucos segundos. O iugoslavo sentiu a solidão monstruosa de estar sozinho com as chamas. No meio do salão, agachou e levou as mãos ao rosto, como se fosse desabar em lágrimas. E soltou um berro desumano.
As tropas pasargadanas se mobilizaram e controlaram o fogo em poucas horas. As perdas materiais foram inestimáveis. O aroma de cinzas corria por todas as salas do palácio. Muitos integrantes da Pasárgada tiveram os seus corpos degenerados pelo fogo e muitos mais tiveram o seu peito transpassado pelas espadas dos rebeldes. Foram quase mil baixas humanas para a Pasárgada, incluindo Marcell Cabral, membro da elite. Foi a maior chacina ante os monarcas desde o Domingo Sangrento.
Ainda antes que o dia se desse por terminado, o soberano Matiza Perrier não tardou para convocar uma assembleia imediata com todos os quinze membros da Elite Pasargadana. Ainda não estava claro na cabeça do rei o que havia acontecido naquela noite. Uma revolta popular? Mas por que? Como simples camponeses sabotaram a entrada de Woodyard? E como conseguiram causar um incêndio em proporções tão catastróficas? Uma pergunta levava a outra e nada parecia fazer sentido. O rei sabia que decisões pediam por serem tomadas, mas sequer sabia quais eram elas. Todos pasargadanos necessitavam clarear as suas ideias.
Na tradicional mesa redonda, Matiza, em sua primeira fala, ensaiou um fingido discurso de condolência a Marcell Cabral, pelos simbólicos serviços prestados pelo mesmo antes de sucumbir em combate - como se o catalão tivesse sido realmente primordial e valorizado dentro da Pasárgada. Após uma hora de debate, todos os nobres entraram em concordância. Na teoria proposta por Matiza Perrier, um pequeno grupo de revolucionários acqualuzenses, de fato, havia se rebelado e tentado derrubar o governo da Pasárgada naquela noite. A revolta popular era a explicação mais sã, embora fosse impossível dizer como os camponeses levaram tanta vantagem sobre soldados do mais alto escalão da elite pasargadana e de onde vieram as chamas que percorreram o palacete. O plano dos rebeldes clandestinos havia, sem sombra de dúvidas, sido muito bem arquitetado. Com isso, o alerta de Matiza e da Pasárgada foi ligado: existiam pessoas descontentes com o governo pasargadano vigente dentro da Península de Acqualuza. Era difícil saber quem eram e quantos eram. Mas, aparentemente, alguns cidadãos acqualuzenses tinham descoberto o antídoto para a cegueira social que a Pasárgada enraizou naquela região. Agora também haviam vozes contra os pasargadanos. O rei da Pasárgada não podia ir contra os seus fictícios ideais democráticos e simplesmente determinar a árdua perseguição de todos os seus opositores políticos. Matiza, prezando pela sua boa imagem perante o povo, deu carta branca para que os soldados da Pasárgada dessem um fim traumático a todo tipo de agitação revolucionária, mas como sempre, por trás das cortinas e embaixo dos panos. Com a cara limpa, o comandante continuaria discursando de modo hipócrita aos populares sobre a importância da pacificação e do direito igual a todos os cidadãos.
Na realidade, Matiza Perrier declarou guerra a um adversário inexistente: a alienação do povo seguia perfeita. O seu verdadeiro inimigo estava muito mais próximo do que ele podia imaginar. Randolph Mayoral, sempre presente à direita do rei, somente concordou com a cabeça com tudo o que Matiza Perrier expôs e deu gargalhadas falsas das piadas de péssimo gosto que o rei pasargadano emendava entre uma frase e outra.
Contudo, antes que a reunião da Elite da Pasárgada se desse por encerrada, Matiza Perrier percebeu pela primeira e única vez que havia uma cadeira vazia entre eles. Uma cadeira escondida à direita, no fundo. Era onde deveria se fazer presente o iugoslavo Constantin Saravåj. Milhares de hipóteses invadiram os pensamentos do rei pasargadano naquele momento. Talvez Saravåj tivesse tido o mesmo infeliz fim de Marcell Cabral durante a invasão dos rebeldes. Ou quiçá o guerreiro iugoslavo, sempre tão misterioso e retraído, fosse o artífice da agitação do povo acqualuzense contra os pasargadanos, instruindo os cidadãos da península em oposição à Pasárgada após denunciar aos populares a corrupção furtiva da administração de Matiza Perrier. Ou então o ex-espião pasargadano simplesmente tivesse se aproveitado do alvoroço para abandonar a Elite da Pasárgada sem dar satisfações para ninguém e dar novos rumos para a sua vida em outro lugar. Por mais que fosse divertido criar explicações para o sumiço do iugoslavo, o paradeiro de Constantin Saravåj era insignificante para Matiza, desde que este não cruzasse o caminho da Pasárgada mais uma vez. O essencial era que a Pasárgada seguisse mais forte do que nunca. Afinal, o trono de Matiza Perrier persistia intacto e o seu governo tinha cada vez mais o clamor popular. Os pasargadanos caminhavam a passos largos rumo ao seu lugar ao sol no velho continente. A Europa logo contemplaria o maior império que a humanidade já viu. Era apenas questão de tempo. Por mais injusto que fosse, Matiza Perrier tinha impreterivelmente o mundo em suas mãos.
Algumas horas depois da revolta dos cidadãos contra os pasargadanos, nas redondezas do Castelo de Woodyard, um homem encapuzado, vestido de preto dos pés à cabeça, fingia ler um jornal britânico em uma casa noturna. O sujeito somente passava os seus olhos nos letreiros do folhetim, enquanto se concentrava na conversa de dois homens que bebiam rum ao seu lado. Os amigos comentavam sobre o incêndio na sede da Pasárgada. Por mais que o fogo tenha se alastrando por boa parte do palacete, os representantes do governo pasargadano afirmaram que a gênese das chamas fora uma simples vela que caiu acidentalmente sobre uma majestosa cortina de tecido fino. Era óbvio. A Pasárgada não queria demonstrar instabilidade em seu governo.
O homem misterioso já havia escutado o suficiente. Ele levantou-se e se sujeitou ao chuvisco daquela madrugada. O indivíduo caminhou calmamente por alguns minutos, até que parou no exato lugar que deveria representar a linha imaginária que dividia a Península de Acqualuza, na Catalunha, e a vila de Balistres, na Gália. Exatamente na fronteira, o homem retirou o seu capuz, suspirou fundo, como nunca havia suspirado em toda sua vida e voltou os seus olhos ao céu, que abrigava milhões de estrelas naquela noite. O seu nome era Constantin Saravåj.
Naquela mesma noite, à alguns quilômetros do Castelo de Woodyard, uma artista nômade gaulesa que viajava pela Europa levando espetáculos artísticos para zonas periféricas deu a luz à sua primeira filha. A criança nasceu forte e saudável, e logo passou para os braços do pai, também um artista gaulês que partilhava da mesma ideologia de sua mulher. A menina erradiava alegria e paz com o seu choro de vida.
O seu nome era Anne.
A criança da profecia.
[Para os mais espertinhos: eu sei, a Iugoslávia só se formou no começo do século XX, após a Primeira Grande Guerra. A minha trama, de facto, se vale de alguns fatos históricos, como a Idade Média, a conjuntura social desta época e de regiões como a Gália e a Germânia, mas não tem exatamente um compromisso com a história como nós conhecemos. Eu queria um país que aglomerasse toda a região dos Bálcãs para ser o berço do Saravåj, e, talvez por falta de criatividade no momento, batizei essa região de Iugoslávia. Posteriormente, pode ser que eu chame essa tal "Iugoslávia" por outro nome, pra fugir desse impasse - e eu tô totalmente aberto a sugestões, hein. Para os mais espertinhos ainda: eu também sei, o acetileno só foi descoberto em 1800 e tantos. Como eu disse: o universo de Steel Hearts tem a sua própria história alternativa e uma realidade diferente da nossa - e isso serve para qualquer outra dissonância histórica na minha trama].
Obrigado por ler e aguardo ansiosamente pelo feedback! :)
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2016.08.02 15:00 EP-GHERAMER PARADOXOS

Sentado na beirada da cama, com a bíblia aberta numa passagem marcada do evangelho, Benjamim - instantaneamente, como num flash, num insigth - viu-se diante de uma realidade que não estava sujeita a explicações lógicas. Antes, pelo contrário, estava repleta de paradoxos e onde o maior deles era o próprio Deus e o que restou foi um enorme vazio no peito. - Sem dúvida – pensou -, nenhum outro livro tem mais paradoxos do que este. Teve a nítida impressão de que se o sacudisse, dele cairia uma torrente de coisas inexplicáveis. Segurando-o entre as mãos, percebeu que segurava “paradoxos”, pensamentos e argumentos que contrariavam os princípios básicos e gerais que costumam orientar o pensamento humano, desafiando a opinião concebida, a crença ordinária e compartilhada pela maioria. - Mas, o que era um paradoxo? – Se perguntou e em seguida começou a procurar uma resposta ou respostas. - Um paradoxo é uma ideia contraditória, ou pelo menos, assim parece sê-lo, mas, também pode ser alguma ideia contrária à opinião aceita, contrária ao bom senso, ou, meramente contraditória, ou, ainda algo que pareça autocontraditório. Também pode ser uma ideia ou uma declaração aparentemente absurda, mas que, na realidade, pode exprimir uma verdade. Por último, podem ser declarações ou ideias que, efetivamente, são absurdas ou falsas, e, portanto, “inacreditáveis”. Com as rédeas do pensamento soltas, lembrou-se de um filósofo grego místico da antiguidade que expôs o que ficou conhecido como “paradoxo do mentiroso”, que dizia: “Se um mentiroso confesso disser: Se estou mentindo, estou dizendo a verdade?”. - Na verdade, não temos certeza sobre o que pensar então – disse Benjamim e logo se lembrou de outro que veio confundi-lo ainda mais. Este escrevera, em uma das faces de cartão: “A sentença do outro lado deste cartão é verdadeira”. Virando o cartão, achava-se a declaração: “A sentença do outro lado deste cartão é falsa”. Ora, se é assim, que cada um faça a sua escolha – disse para si mesmo. Para Benjamim, dizendo-se que uma sentença é verdadeira é dizer que estamos concordando com uma sentença, mas, se ela exprime, realmente, uma verdade já é coisa bem diferente. E como podemos ter certeza? As pessoas odeiam complicações que perturbem os seus sistemas e Benjamim não era diferente. Segundo ele pensava, um paradoxo nos deveria levar a fazer a seguinte admissão: Lamento, mas não sei como dar uma resposta lógica e isenta de dificuldades a este problema. A dificuldade é que aqueles que se dedicam à ciência ou estudo que se ocupa de Deus, de sua natureza e seus atributos e de suas relações com o homem e com o universo não gostam de fazer tal admissão. E alguns são extremamente arrogantes acerca de seus sistemas, reduzindo sua teologia em humanologia – pensava Benjamim. Por outro lado, alguns estudiosos assumem a tarefa de mostrar que os paradoxos não são autocontraditórios. Mas eles só conseguem convencer a si mesmo, e a seus alunos particulares. Andando de um lado para o outro, entrando e saindo de todos os cômodos da casa, ao mesmo tempo em que pensava, falava. - Enquanto eu não for vastamente mais inteligente do que sou agora, e enquanto meu conhecimento não for quase infinitamente superior do que é atualmente, não poderei escapar desses paradoxos. A linguagem humana não pode reduzir verdades a proposições perfeitamente lógicas. Este é um pensamento por demais absurdo para merecer a minha consideração. Há experiências espirituais que ultrapassam as categorias da intelecção humana, sendo experiências que não se pode nomear ou descrever em razão de sua natureza, força e beleza; que não podem ser expressas em termos da linguagem humana. Qualquer tentativa para explicar o Mysterium Tremendum que é Deus, automaticamente envolve-nos em uma série de paradoxos... Deus é pessoal ou impessoal? e como? Deus é infinito, mas manifesta-se no finito? e como? Qual a síntese verdadeira desses problemas acha-se na Mente divina, mas não na humana? Os homens têm teses e antíteses. Para efeito de harmonização, as teologias sistemáticas ignoram alguma tese ou antítese. Mas não são capazes de elaborar uma síntese apropriada. Além disso, ele não aceitava as explicações antropomórficas que os homens oferecem, na tentativa de explicar Deus. Tais explicações expõem um super-homem, e não um Ser transcendental. Mas, nenhum de nós realmente compreende a infinitude... E o que fazemos? Usamos essas palavras para esconder nossa ignorância com declarações aparentemente profundas. O mesmo acontece quando falamos sobre o espírito. Sabemos que se trata de algo bem diferente da matéria, mas não podemos apresentar boas definições nem da matéria e nem do espírito. E em seguida, quando procuramos dissertar sobre o Espírito Absoluto, ficamos essencialmente vazios de descrições; e mesmo quando se consegue balbuciar alguma coisa, isso fica muito aquém da realidade dos fatos. Somente aqueles que são ingênuos não conseguem reconhecer essas dificuldades. Saímo-nos um pouco melhor quando falamos sobre o homem. O homem é espírito e matéria. E mesmo assim, a experiência humana e o misticismo, de um modo geral, têm-nos dado mais descrições sobre os homens do que sobre o Ser Divino. E o nosso conhecimento científico não tem contribuído grande coisa para dispersar os mistérios que circundam o ser humano, a sua origem, a sua vida presente e o seu destino. Aquele livro falava sobre o Deus-homem encarnado, chamado Cristo, em sua missão messiânica. Para Benjamim, isso constitui um paradoxo e algo que somente pode ser aceito mediante a fé... De alguma maneira inexplicável, o divino e o humano fundiram-se em um único ser, Cristo Jesus. Mas até hoje ninguém descobriu uma maneira muito inteligente de descrever essas duas naturezas, tão diferentes entre si, que podem coexistir em uma única pessoa. Os estudiosos têm lutado muito para prover algumas úteis definições; mas é apenas a tentativa de explicar o inexplicável. E quanto ao problema do determinismo versus livre-arbítrio? A questão é a relação entre essas duas realidades. Na história eclesiástica vemos denominações separando-se de outra em torno dessa questão. Há grupos ferrenhos defensores do divino determinismo e há outros que morrem pelo livre-arbítrio humano. Mas, a verdade é que as Escrituras ensinam ambas as coisas, mas nunca tentam reconciliar esses dois conceitos. Assim, o determinismo é a tese; o livre-arbítrio a antítese. E constitui um autêntico suicídio espiritual quando alguém simplesmente elimina uma face dessas facetas da verdade revelada. Ouve-se muito falar que indivíduos não espirituais vivem uma polêmica ignorante constante. Mas aqueles que, pela fé, aventuram-se a dar o salto no escuro, para descobrir a verdade, deleitam-se com aquilo que descobrem. Quanto à síntese desse paradoxo, para Benjamim ela só pode existir na Mente divina. Naturalmente, é possível que, conforme espiritualidade do homem for crescendo, talvez enquanto ainda mortal (mas muito mais certamente quando já tiver recebido a imortalidade), que certos paradoxos venham a ser solucionados. Mas, antes disso, as soluções fabricadas deixavam Benjamim espiritualmente faminto. Por causa da diversidade e complexidade da realidade e também em face das limitações da finita e presunçosa razão humana de conhecer o bem e o mal, os melhores esforços do homem para vir a conhecer a realidade, levam-no tão-somente a produzir verdades igualmente razoáveis (ou aparentemente razoáveis), posto que irreconciliáveis (ou aparentemente irreconciliáveis). Nesses casos – pensava Benjamim -, os homens aproximam-se mais da verdade quando defendem ambos os lados de qualquer questão paradoxal, em vez de defenderem apenas um lado ou outro da mesma questão. Os homens geralmente buscam mais o consolo mental do que mesmo a verdade, ainda que a maioria não reconheça isso. Contudo, o consolo mental jamais será equivalente à verdade. Alguém já disse: “Creio porque é absurdo!”. Com isso, ele quis dizer que é uma estupidez de nossa parte supor que a verdade divina precisa corresponder ao nosso raciocínio humano. É verdade que há verdades assim; mas há verdades que estão acima do nosso alcance! Os paradoxos ocupam posição proeminente nos escritos de certos autores, que têm percebido a inevitabilidade dos paradoxos. Deus infinito, que vive fora do tempo e que não pode ser sondado, estendeu a mão à mente humana, que é finita, limitada e vive dentro do tempo. Era o que Benjamim depreendia da leitura daquele livro. Sendo assim, somente os olhos da fé são capazes de divisar algo, onde o intelecto falha totalmente. A fé tateia a verdade real em ideias e circunstâncias; e essa fé – e apenas ela - compreende que somente a Mente divina tem a síntese dos paradoxos. E isso significa que essa síntese está à nossa disposição? Dizem que talvez não para esta vida, não para o homem ainda em sua mortalidade – tal crença Nietzsche chamou de “muleta metafísica”. No entanto, muitos intérpretes, quanto a questões críticas, reconhecem apenas um polo, quando há dois: o lado divino e o lado humano. Benjamim acreditava que o homem que reconhece os “opostos” quanto a certas verdades fundamentais e procura expor descrições sobre ambos, talvez com alguma tentativa de reconciliação, é um homem que estará mais perto da verdade do que aquele que apresenta uma boa descrição sobre um só dos polos, mas ignorantemente supõe que esse polo não tem o seu oposto natural.
No mais, deixamos aqui escrita a passagem que deu origem a todas essas reflexões em Benjamim; ela encontra-se em Mateus, capítulo vinte e dois, versículos de trinta e sete a quarenta.
“Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.”
O que mais podemos dizer ainda sobre nosso herói? Benjamim buscara a Deus, e, finalmente, entregara sua alma a uma direta comunhão com Deus, e não tanto a uma abordagem meramente intelectual.
EP. Gheramer
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